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sábado, 13 de fevereiro de 2021

 A VERDADEIRA HISTÓRIA DO CAPITÃO DOS PIRATAS JACK SPARROW


Jack Ward, também conhecido como Jack Sparrow¹ foi um capitão inglês nascido em 1553, numa família de pescadores em Faversham, Kent. Como muitos nascidos nas áreas costeiras, ele passou a juventude e a primeira vida adulta trabalhando na pesca.
Em 1603 ele teve o grande azar de ser chamado para servir na Marinha inglesa no Lion’s Whelp (Filhote de Leão) sob o comando do capitão Thomas Sockwell. Já aos 50 anos de idade, Ward embarcou numa nova e incrível jornada: a de pirata. Após a fracassada invasão da Inglaterra pela Armada Espanhola em 1588, Ward encontrou trabalho como corsário, saqueando navios espanhóis com uma licença da Rainha Elizabeth I da Inglaterra. Quando Jaime I da Inglaterra terminou a guerra com a Espanha ao assumir o trono em 1603, muitos corsários se recusaram a desistir de seu sustento e simplesmente continuaram a saquear. 
Aqueles que o fizeram eram considerados piratas porque não tinham mais licenças válidas - chamadas de cartas de corso - emitidas pelo estado. Jack capturou um navio mercante inglês em novembro de 1606 chamado John Baptist (João Batista) e o renomeou para Little John (‘’João Pequeno’’), o que nos dá uma breve ideia de como ele via a si mesmo: ele claramente se considerava como um Robin Hood dos mares. Há inclusive evidências de que o mesmo doou para os pobres, assim como estava determinado a roubar dos ricos.²
Quando Ward e seus colegas desertaram do Lion's Whelp, roubaram uma barca de 25 toneladas vinda de Portsmouth Harbour. Nessa ocasião seus camaradas o elegeram como capitão, algo raro no meio pirata. Dando continuidade, navegaram para a Ilha de Wight (Inglaterra) e capturaram outro navio, o Violeta, cujo rumor na época afirmava carregar tesouro de refugiados católicos. Entretanto, o navio estava vazio, mas não foi uma empreitada inútil, uma vez que Ward o usaria posteriormente para capturar um navio francês muito maior que o Violeta.
Nesse sentido, Ward navegou para o Mediterrâneo, onde conseguiu um navio holandês do estilo Flyboat (um navio leve), com trinta e duas armas, o renomeando para “The Gift” (o Presente). Ao chegar em Argel, capital da Argélia, vários de seus homens foram presos ao entrar na cidade, pois meses antes ela havia sido atacada por outro marinheiro inglês chamado Richard Giffard. Após esse incidente, navegaram para Salé, no Marrocos, onde em 1605 vários ingleses e holandeses se juntaram à tripulação de Jack Ward.
Por volta de 1606 encontrou sua estadia junto aos turcos da Tunísia após capturar um veleiro no estreito de Gibraltar, pois negociou sua estadia com o comandante das tropas janízaras de Túnis. 
Seu apelido peculiar se deve ao fato de ser obcecado pela criação de pardais. Nesse país, os moradores locais costumavam chama-lo de Jack Asfur, que em árabe significa “pardal”, sendo o seu equivalente “sparrow” na língua inglesa, a língua mãe de Jack, daí, surgiu o nome pelo qual ficou conhecido, “Jack Sparrow’’. Após converter-se ao Islã, adotou o nome de Yusuf Reis. Porém Jack Sparrow não estava sozinho: ele era casado com outra renegada da cristandade, conhecida como Jessimina, a Siciliana (a Sicília já tinha sido um emirado islâmico³), que por sua vez também era convertida à fé islâmica. Construiu sua vida na Tunísia, tendo inclusive menções de ter construído um belo palácio no local, descrito em 1616 por William Lithgow como “adornado em mármore e pedras de alabastro”.⁴
Após algumas expedições no mar, saqueando alguns navios Venezianos, Sparrow volta para a Tunísia em 1607. Na Tunísia ele ficou sob a proteção de Kara Osman, e em algum ponto aceitou o Islã. Antes de sua conversão, Sparrow era um beberrão de rum, assim como os demais piratas europeus. Abandonou esse hábito logo após abraçar sua fé no Islã.
Dentre os saques contra navios venezianos acima mencionados, o mais icônico foi o de Reniera e Soderina, uma carraca⁵ de 600 toneladas. O navio foi tomado quando estava próximo do Chipre carregando seda, canela e demais mercadorias, levando também um valor de 100.000 libras em algodão. A captura do navio veneziano ocorreu através de dois navios comandados pelo capitão Ward, cujos relatos apontam que cada navio continha cerca de 40 armas⁶ e cada um levando em média 100 homens armados.⁷
As baladas cantadas nas ruas inglesas na época retratavam como o “pirata mais famoso do mundo” aterrorizava os mercadores da França, Espanha, Portugal e Veneza. As mães contavam a história para seus filhos sobre “o demônio que não temia nem Deus nem o Diabo, cujos feitos eram maus e os pensamentos malignos”.  Clérigos em seus púlpitos iriam esbravejar que Ward e seus renegados terminariam seus dias em bebedeira, luxúria e sodomia confinados nos sibaríticos palácios tunisianos, conforme menciona Adrian Tinniswood.⁸
Ward, assim como pessoas feito ele, foram descritos pelo aventureiro John Smith⁹, um viajante inglês que viu esses muçulmanos em primeira mão, inclusive passando alguns anos no exército otomano antes de navegar para a Nova Inglaterra. Diante desse convívio, escreveu o livro chamado True Travels and Adventures¹⁰, descrevendo os muçulmanos europeus que lutavam pelo Islam contra os Cristãos. Segundo Smith, alguns homens desgostosos com as guerras religiosas em seus países, assim como nada convencidos a respeito de “Trindades e Tormento dos Vicários”, por fim acabaram por “tomar o turbante dos turcos”, buscando refúgio na Berbéria.¹¹
Ainda com base em John Smith, o mesmo acreditava que o “estilo de vida pirata” havia sido introduzido nos estados Berberes por esses europeus que “primeiro ensinaram os Mouros a serem homens de guerra”.¹²
Até a chegada de tais aventureiros europeus, os portos nas costas do Norte Africano não estavam acostumados com a guerra. Entretanto, prosperaram ao dar abrigo para os muçulmanos expulsos da Espanha pelo rei Filipe III em 1609-1610, um dos eventos de maior brutalidade racial vistos na história europeia até o século XX. Nesse sentido, é possível dizer que a maior parte dos Mouros pouco sabiam a respeito do mar, e menos ainda a respeito de guerra, porém mesmo assim deram boas-vindas aos muçulmanos vindo das terras do Mediterrâneo, e também das nações navegantes ao Norte, que estavam dispostos a aceitar o Islã em troca de serviço militar com os exilados espanhóis. Por meados do século XVI, muçulmanos ingleses estavam no front desse movimento, vagando pelos oceanos com o objetivo de capturar primeiro navios espanhóis, depois qualquer navio cristão, escravizando a tribulação e vendendo os carregamentos como espólios de guerra.¹³
Sparrow foi fundamental para o resgate de centenas de judeus e muçulmanos espanhóis fugidos da Inquisição, que foram perseguidos e expulsos de sua terra natal nos séculos XVI e XVII.
Um dos tribunais inquisitoriais, no ano de 1610, investigou não menos que 39 bretões. Doze deles eram dos portos do Sudoeste da Inglaterra. Dez eram de Londres, seis de Plymouth e outros eram de Middlesbrough, Lyme e das Ilhas do Canal. Já em 1631, a Inquisição em Murcia processou um homem chamado Alexander Harris, que assim como Sparrow havia se tornando um proeminente navegador muçulmano. Harris foi sentenciado a passar 7 anos nas galeras.
Outro muçulmano inglês foi Francis Barnes, que admitiu aos inquisidores que havia rezado e jejuado com fé “à maneira dos Maometanos”, enquanto trabalhava como comandante de um navio em Tunis, onde foi capturado pelos espanhóis.¹⁴
Homens como o capitão Ward de Kent espantaram seus compatriotas ao adotar apaixonadamente o Islã, combatendo assim a Inquisição e os poderes expansionistas Europeus. Contemporâneos chamavam esses homens de corsários, mas eles se consideravam mujahidin, isto é, “combatentes da fé”. Alguns desses homens estão entre os mais pios muçulmanos que a Inglaterra já viu e há de ver.
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[1] Alcunha que significa “pássaro”;
[2]  Ver Wilson (2003), p.57;
[3] Para um estudo mais aprofundado da Sicília islâmica, ver: METCALFE, Alex. The Muslims of Medieval Italy, Edinburgh University Press. 2009;
[4] Ver Tinniswood (2010), p.57;
[5] Um tipo de navio usado no transporte de mercadorias;
[6] Provável que se trate de armas acopladas ao navio;
[7] Para mais detalhes do saque ao Reniera e Soderina ver Wilson (2003), p. 61;
[8] Tinniswood (2010), p.31;
[9] Smith foi um capitão da marinha real inglesa, mais conhecido pelo seu (suposto) romance com Pocahontas, que ficou eternizado nas animações através de filmes da Disney; 
[10] “As Verdadeiras Viagens e Aventuras”, em uma tradução livre;
[11] Murad (2003); 
[12] Ibid;
[13] Ibid;
[14] Os dois casos são citados por Murad (2003).
BIBLIOGRAFIA
Lamborn Wilson, Peter. Pirate Utopias: Moorish Corsairs and European Renegadoes. Autonomedia;
Tinniswood, Adrian. Pirates of Barbary. Vintage Books. 2010;
MURAD, Abdul Hakim. Ward the Pirate. Masud. 2003;
MATAR, N.I. The Renegade in English Seventeenth-Century Imagination. Rice University. 1993;
METCALFE, Alex. The Muslims of Medieval Italy, Edinburgh University Press. 2009.

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